Poetry
5.10.10
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Não sou poeta
Mas em minhas letras meu amor se deita
Em minhas palavras minha dor se acaba
E o meu fingir são pensamentos
Sentimentos alheios que se tornam meus
Tristezas ou fantasias
Que se tornam minhas
Macaires






O Poeta é um mistério.
Um ser atrás de uma máscara de si mesmo.
Se sorri ou se chora, ninguém sabe ao certo.
Sabe-se que se aboleta na cadeira e com a caneta vai para outro mundo.
Quiçá distante ou mesmo do outro lado da janela.
Poeta.
O que se espera?
Uma flecha e um ponto.
Um romantismo que não degenera.
Mas se augusto um dia é. No outro se desespera.
E por essas linhas tortas conta a vida, tão pobre vida, respirando desmedidas promessas,
cuspindo caroços de sentimento que plantados nascerão em outros tempos.
Futuro que não espera.
Porque o trem há de partir.
Assim como os corações.