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    5.10.10

    AUTOPSICOGRAFIA
    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas da roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama o coração.

         



    Não sou poeta
    Mas em minhas letras meu amor se deita
    Em minhas palavras minha dor se acaba
    E o meu fingir são pensamentos
    Sentimentos alheios que se tornam meus
    Tristezas ou fantasias
    Que se tornam minhas
    Macaires

    4 devaneios:

    1. Márcio Vandré disse...:

      O Poeta é um mistério.
      Um ser atrás de uma máscara de si mesmo.
      Se sorri ou se chora, ninguém sabe ao certo.
      Sabe-se que se aboleta na cadeira e com a caneta vai para outro mundo.
      Quiçá distante ou mesmo do outro lado da janela.

      Poeta.
      O que se espera?
      Uma flecha e um ponto.
      Um romantismo que não degenera.

      Mas se augusto um dia é. No outro se desespera.
      E por essas linhas tortas conta a vida, tão pobre vida, respirando desmedidas promessas,
      cuspindo caroços de sentimento que plantados nascerão em outros tempos.
      Futuro que não espera.
      Porque o trem há de partir.
      Assim como os corações.

    1. Macaires disse...:

      Márcio!
      Ser poeta tem seus mistérios e infinitas belezas, apesar de não ser fácil, mas é nas linhas da vida que ele se faz, se completa com poesia e preenche, também, o nosso vazio...

      Um beijo ao meu Poeta mais querido!

    1. Márcio Vandré disse...:

      Se o texto já estava ótimo, agora com sua resposta então!
      Saudade, moça!
      Apareça, por favor!

    1. Juan Moravagine Carneiro disse...:

      Finalmente estou conseguindo me reorganizar... logo estou voltando aos poucos....

      abraço

      e me desculpe pela minha ausência

      abraços!